Conhecimentos Esotéricos
Qualquer revista ou jornal que abrimos, encontramos um
espaço destinado ao horóscopo, às previsões e até à magia. Entretanto, em nossa
época, todos estes elementos aparecem na superfie dos acontecimentos. Surgem
como previsões mágicas ou extraordinárias, todavia o esoterismo fala da vida
ordinária, do trivial, do dia-a-dia.
Às vezes, nos colocamos a discutir sobre estes elementos, porém nossa conversa
se concentra na afirmação ou na negação dos mesmos. Somos tão medíocres que nos
damos ao luxo de acreditar ou não, e ainda condenar os que pensam de forma
diferente. Ou seja, mantemo-nos na superficialidade de nosso EGO, sem
adentrarmos naquilo que o esoterismo tem de mais precioso e quer nos mostrar.
Contudo, vemos pulular inúmeros pseudo-terapeutas que tentam usar dos milenares
conhecimentos esotéricos como fonte de renda. Infelizmente, estes nada
entenderam e nada fazem a não ser transformar a sutileza do divino num comércio
bruto e inócuo.
Na Grécia antiga irrompem dois modos de conhecimento: o “exo-térico” e o “eso-térico”.
O saber exotérico tratava da sabedoria trivial, daquilo que pode ser ensinado ao
grande público, das coisas que podem ser ditas e discutidas com todas as
pessoas, sem necessidade de uma iniciação. Todavia, o conhecimento “esotérico” é
o aplicado aos discípulos, àqueles que estavam mais próximo do mestre. Este
ensinamento oferecia um certo entendimento do mundo e das coisas, de modo mais
profundo e secreto. Os textos do Evangelho têm muitos exemplos de conhecimento
esotérico, principalmente quando Jesus utiliza a frase: “Quem tiver ouvidos para
ouvir, que ouça.” Ou seja, ele não fala para todos, mas somente àqueles que têm
os ouvidos afinados, àqueles que estão aptos para ouvir.
O esoterismo só pode ser oferecido aos que têm o ouvido atento, aos que ouvindo
podem escutar, e escutando conseguem por em prática. Deste modo, muitos até têm
contato com as palavras de mestre, mas por estarem na dinâmica do grande público
jamais a colocarão em prática. Em Coríntios 13 podemos ver, no texto de Paulo, a
dinâmica desta instrução: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o sino que retine em
vão”. Sem esta disposição todo conhecimento formal, toda ciência, toda
matemática, para nada serve, ao contrário somente ocupa espaço.
Segundo Paulo, existe um acionador para o conhecimento esotérico, somente quem
ama tem acesso a este saber. Portanto, não basta ter ouvidos é preciso saber
ouvir. Todo empenho do esoterismo está em mostrar aquilo que realmente somos,
sem as aparências criadas. Em Jesus todo este saber era exposto a cada fala, em
cada momento, porém somente quem tem os ouvidos afinados podem compreender o
segredo de sua mensagem.
Nas próximas edições estaremos visitando diversos modos do conhecimento
esotérico. Assim, poderemos entender um pouquinho mais sobre nossa existência
humana na terra e sua relação com o sagrado. Porém, somente quem tiver os
ouvidos afinados poderá participar desta discussão.
O Esoterismo
Esta é a primeira de uma série de três matérias inéditas
escritas por José de Ribamar de Carvalho, estudioso que durante mais de quatro
décadas dedicou sua vida ao ocultismo. Teosofista, rosa-cruz, maçon, José de
Ribamar fez parte de mais de trinta ordens esotéricas. Seu conhecimento e
prática da fraternidade gerou muitos e bons frutos. José de Ribamar deixou este
plano físico em outubro de 1994. Esta série é dedicada ao grande homem e
ocultista que ele foi e por tudo que representou e ensinou a muitos que, quando
o conheceram, estavam dando seus primeiros passos na Senda.
A cultura de todos os povos, em todos os lugares e em todas as eras, sempre foi
constituída por conhecimentos que eram dados a todos e outros que eram
privilégios de poucos; dos escolhidos, dos que haviam se tornado dignos de
recebê-los após um longo tempo de preparo moral e espiritual, ministrado nos
templos, após o ritual iniciatório.
Este longo preparo para a iniciação constituía o misticismo e os ensinos dados
nos mistérios menores, eram o conhecimento exotérico e ambos constituíam os
ensinos do ocultismo.
O esoterismo provêm do grego esterkos, interno, é a doutrina que se oculta à
generalidade das pessoas e se revela apenas aos iniciados. Transcendendo a
formas e dogmas, pode, por sua universalidade essencial, conciliar os múltiplos
e aparentemente divergentes aspectos da verdade. É o conhecimento direto da
verdade, acessível aos moral e intelectualmente preparados, e adquirível por
meio dos símbolos e alegorias, meditação no seu significado interno, intuição e
realização das instruções recebidas.
É aquilo que Jesus disse aos seus discípulos: “a vós é dado conhecer os
mistérios do reino dos céus, mas a eles (o povo, os não-preparados) não lhes é
isso dado. Por isso lhes falo em parábolas, porque vendo, não vêem, e ouvindo,
não ouvem, nem entendem” (Mateus 13:11-13).
Embora o esoterismo, nas escolas de mistérios de todos os povos, tenha sido
ministrado através do simbolismo e de inumeráveis mitos ou fábulas, ele tem um
fundo de significação, que é a essência e o fundamento de todos os grandes
sistemas religiosos, adaptados às conveniências culturais e étnicas dos povos e
à sua época.
Pode-se mesmo falar de um esoterismo romano, grego, islâmico, judeu e,
notadamente, do esoteris mo egípcio que influiu em todos os outros.
O esoterismo instituiu o fundamento das escolas de mistérios de
Dionísio-Deméter, de Eleusis, Orfeus, Pitagóricos, de Mitra, da Gnose, do
Maniqueísmo, dos Sufis, dos Ismaelianos e da Cabala e de todas as outras
escolas, ordens ou religiões.
Como o esoterismo egípcio ou hermetismo, no ocidente, é o mais importante,
trataremos apenas dele.
O esoterismo é a herança cultural dos povos da Atlântida transmitida aos
egípcios e conservada nos templos de iniciação.
Ele foi ensinado por Hermes Trimegistro e constitue a Tábua de Esmeralda, uma
série de diálogos entre Hermes e seu discípulo Asclépios, acerca da criação, da
natureza de Deus, da mônada, do Bem e do Mal, da Vida e da Morte, da
constituição espiritual de todas as coisas, etc.
O Livro dos Mortos dos egípcios é, também, um manual de ensinamentos esotéricos.
Os ensinamentos esotéricos foram ocultados no mito de Pã, o Deus-Pastor caprino,
o Baphomet, o Arcano XV, o Diabo do Tarô.
Pã, filho de Hermes e da ninfa Salmatis, neto de Zeus e do gigante Atlas,
representava tanto o princípio primordial divino, como o material e o humano,
ora o feminino, Íris, a natureza humana e das coisas.
Hermes, o pai, era também Thot e na forma de Thot, Hermes é a figura
intermediária entre o natural, Pã, e o divino, desta forma era, ao mesmo tempo,
pai-filho e possuía a mesma natureza.
Hermes, o princípio divino e Pã, a natureza psíquica, ambos formam a natureza
humana.
Neste mito de Pã-Hermes, encontram-se os fundamentos de tudo o que é superior e
inferior da unidade essencial, da expressão do múltiplo, e de todos os ensinos
que consiste os fundamentos esotéricos das religiões ditas pagãs e gnósticas.
Para se abordar o esoterismo e compreendê-lo é preciso que se o considere sob
dois pontos de vista: o filosófico-científico, que explica, com a ajuda da
filosofia e da teologia, o esoterismo como parte do desenvolvimento mental do
ser humano.
O ponto de vista mágico-religioso aborda os aspectos numinosos, inteligíveis, os
paradoxos do esoterismo, os ensinamentos que só são admissíveis pela fé.
Com a queda do império egípcio e de sua cultura, vem o esoterismo de Pitágoras,
de Platão, de Aristóteles, que tiveram profunda influência no cristianismo
primitivo.
Por outro lado, o Egito, através de Moisés, exerceu preponderante papel na
formação da cultura do povo judeu e de sua religião, na qual vamos encontrar os
ensinamentos exotéricos e esotéricos que caracterizam os fundamentos do Talmude,
do Torá e da Cabala, bem como das escolas essênias, nazarenas, farisaicas e
outras. Do esoterismo originou-se a gnose ou conhecimento transcendental.
Com o advento do cristianismo houve o reencontro entre o esoterismo judaico e o
ocidental, acentuado pelas peregrinações e pregações dos apóstolos, que
integravam as comunidades esotéricas ou gnósticas, notadamente, Pedro, João,
Tiago e Felipe. Entretanto, nem todos os apóstolos eram gnósticos, muitos só
eram exoteristas e entre estes Paulo, daí o surgimento do conflito entre o
cristianismo e as seitas gnósticas.
Com o passar dos tempos, o cristianismo exotérico com o apoio do Estado romano
passou a ser a religião oficial e passava a perseguir as seitas gnósticas que
contradiziam seus ensinamentos.
O desenvolvimento do cristianismo exotérico se solidificou quando o bispo de
Roma se apropriou do título oficial Ponti Fex Maximus e passou a ser uma igreja
católica, herdeira de Cristo e intermediária entre o homem e Deus e a
depositária da salvação pela distribuição dos sacramentos.
A Igreja pregava a salvação intermediária de fora, a dualidade inconsciliável da
natureza divina e humana, a gnose, ao contrário, ensinava a auto-salvação e a
unidade da natureza divina e humana harmonizada pelo esforço pessoal. A Igreja
apregoava ser Cristo o único filho de Deus, a gnose afirmava que todos os homens
são filhos de Deus.
Apesar de a Igreja ter destruído os celtas, os templários, os cátaros e muitas
outras seitas e povos, o esoterismo sobreviveu através dos séculos, nos
ensinamentos de Alberto Magno, de Roger Bacon, Theophraustus Bombastos von
Hohenhein, Paracelso, Chustionus Rosencreutz, Giusepe Balsamo, Conde de Cagli
ostro, Alphonse-Louis Constant, Aleister Crowley, Mathew McGregory e muitos
outros. O esoterismo sobreviveu nas ordens Rosa-cruzes, Aurora Dourada,
Maçonaria, Martinismo, na Teosofia , na Escola de Gurdijiefe, etc.
Estudou-se a origem, o significado e o desenvolvimento na História, vamos,
agora, estudar os conceitos fundamentais que constituem a doutrina esotérica.
São seus fundamentos as afirmações: 1º) Tudo é um. O divino e o humano não são
diferenciáveis na sua essência, mas manifestações de um mesmo princípio em
esferas diferentes. Da mesma forma, o Bem e o Mal são verdades eternas; 2º) A
unidade de tudo é o ser.
O positivo é a essência; o negativo, a substância; 3º)
O homem é um microcosmo, ou seja, ele contém em si tudo o que está contido no
cosmos; 4º) Existe algo absoluto, a realidade única, que é tanto o ser absoluto
quanto o não-ser; 5º) A eternidade do cosmos se manifesta ciclicamente. Inúmeros
universos vêm e vão como a enchente e a vazante das marés, como a alternância
entre o dia e a noite, como a vida e a morte, como o despertar e o dormir; 6º)
No cosmos, cada unidade essencial (alma) traz em si uma centelha do absoluto, a
alma transcendental; 7º) Tudo provém de uma causa primordial básica, de um ponto
central, com o qual está em relacionamento e com o qual permanece unido; 8º) O
cosmos é a manifestação periódica cíclica de um ser desconhecido, absoluto, que
pode ser chamado de ELE;
9º) Tudo no cosmos tem consciência, de modo específico
e dentro de um limite de percepção; 10º) Não existe nenhum deus que possa ser
captado em forma de uma imagem humana. Existe uma energia primordial, denominada
Logos, que deve ser contemplada como o criador do cosmos. Esse Logos se
assemelha a um arquiteto, criador de uma estrutura, realizada pelos outros,
pelos obreiros (as forças que atuam no cosmos); 11º) O cosmos foi criado segundo
um planano ideal que está contido no absoluto desde a eternidade, etc.
O esoterismo não é ocultismo, como a parte não é o todo, embora dele faça parte.
O esoterismo é a parte do ocultismo que se refere a instituição espiritual do
homem e de sua vinculação com o absoluto.
O esoterista está para o ocultista, como o técnico está para o cientista.
O esoterismo é difundido por várias fraternidades com os objetivos de promover o
despertar das energias criativas latentes de cada filiado no sentido de lhe
assegurar o bem-estar físico, moral e social, mantendo-lhe a saúde do corpo e do
espírito e concorrer, na medida de suas forças, para que a harmonia, o amor, a
verdade e a justiça se efetivem cada vez mais entre os homens.
© Copyright da revista ISIS, março de 1996 - by Sandro Fortunato
O Ocultismo
Segundo de uma série de três artigos inéditos escritos por
José de Ribamar de Carvalho - teosofista, rosa-cruz, maçom e membro de mais de
trinta ordens esotéricas -, O Ocultismo, dá continuidade ao artigo da edição
anterior, O Esoterismo; em maio, encerra-se a trilogia com O Misticismo.
Gervásio de Figueiredo, em seu Dicionário da Maçonaria, define o ocultismo como
“a ciência do que está oculto, o estudo de todos os problemas da natureza ainda
não resolvidos pela ciência oficial.
Em particular é o estudo dos mundos
superiores ao físico, o astral, o mental e outros, e o conjunto de métodos ou
disciplinas de educação individual com o objetivo de aperfeiçoamento moral,
intelectual e espiritual do homem, do que lhe decorrem direitos e deveres
inalienáveis”.
No Dicionário de Ciências Ocultas, define-se o ocultismo como “a ciência que
trata de coisas que transcendem a percepção sensorial e são geralmente pouco
conhecidas”.
Trata especialmente dos efeitos que não podem ser explicados pelas leis naturais
universalmente conhecidas, mas cujas causas são ainda mistério para os que não
penetraram tanto os segredos da natureza a ponto de compreendê-los
perfeitamente. O que é oculto para uma pessoa, pode ser perfeitamente
compreensível a outra.
Quanto mais a espiritualidade e a inteligência do homem se desenvolvem, quanto
mais se liberta da atração dos sentidos, mais seu poder de percepção se
desenvolverá e expandirá e mais visíveis se tornarão os processos da natureza.
Oculto é, de fato, tudo o que transcende o poder de percepção dos sentidos,
embora seja perfeitamente perceptível e compreensível ao íntimo entendimento
espiritual, depois que os sentidos internos do homem se desenvolveram e se
fizeram ativos.
Esta palavra designa também o conjunto de sistemas filosóficos e artes
misteriosas derivadas dos conhecimentos secretos dos antigos”.
Rudolf Steiner, em sua A Ciência Oculta, declara: “ciência oculta (ocultismo) se
propõe a considerar o emprego da atividade mental a respeito da natureza como
uma espécie de autoeducação da alma, e aplicar os frutos dessa educação aos
domínios do supra-sensorial. Seu modo de proceder consiste em falar, não dos
fenômenos sensoriais como tais e sim do conteúdo do mundo sensível. O que ela
conserva do método científico natural é a atitude anímica desse método, ou seja,
precisamente aquilo que faz da pesquisa natural uma ciência.
“Ao considerarmos a significação da ciência natural na vida humana, percebemos
que o pleno valor dessa significação não se pode esgotar com a aquisição de
conhecimentos sobre a natureza, já que tais conhecimentos poderão conduzir senão
a experimentar algo que a alma humana não é. O elemento anímico não vive naquilo
que o homem conhece a respeito da natureza e, sim, no próprio processo de
aquisição do conhecimento. A alma experimenta a si própria em sua atividade
sobre a natureza.
A ciência oculta (o ocultismo) deseja aplicar o resultado
desse auto-desenvolvimento em domínios que transcendem a simples natureza. O
ocultista, longe de negar o valor da ciência natural, reconhece-o até melhor do
que o próprio cientista. Reconhece que, sem a exatidão do pensamento que
caracteriza a ciência natural, não seria possível criar nenhuma ciência. Sabe-se
também que, uma vez adquirida tal exatidão, pela penetração a fundo no espírito
do modo de pensar científico-natural, pode essa mesma exatidão ser mantida pela
força da alma para se aplicar em outros domínios”.
Pelo já exposto, pode-se deduzir que o ocultismo é a ciência que investiga e
estuda o ainda não comprovado ou aceito pela ciência oficial, na natureza, no
homem e em suas leis, com o objetivo de proporcionar ao homem meios e métodos
para seu auto-aperfeiçoamento, auto-conhecimento, auto-domínio e desenvolvimento
de suas faculdades espirituais que lhe permita conhecer os mundos de outras
realidades.
Enquanto a ciência, ao estudar a natureza ou o mundo objetivo fenomenológico,
através do instrumental científico de exatidão quantitativa que não é mais que o
pronlogamento dos sentidos físicos, observa os efeitos daqueles fenômenos, para
deduzir suas leis, o ocultismo, utiliza-se de suas faculdades espirituais para
observação das causas nos mundos de outras dimensões e de seus efeitos no mundo
fenomenológico, com o mesmo critério de exatidão quantitativa e qualitativa.
Enquanto a ciência requer um acervo de conhecimento especializado e de um
treinamento minucioso, o ocultismo, além da capacidade intelectual, requer um
aprimoramento moral e espiritual, além de um idealismo desinteressado e um
profundo amor à verdade.
A ciência é secreta, é oculta para os que não foram, antecipadamente, preparados
para o seu mister, o ocultismo também, é secreto para os não qualificados. A
ciência é um segredo de status, de classe; o ocultismo é um segredo de
moralidade, de espiritualidade.
A ciência nasceu com a introdução da lógica, do racionalismo e da
experimentação, entretanto, antes da Renascença, o homem já fazia uma ciência
indutiva, resultante de suas reflexões filosóficas e de suas ponderações
analógicas a respeito de suas observações da natureza.
É um fato incontestável que os antigos, mesmo não tendo os instrumentos
científicos modernos, faziam a trepanação cerebral, o embalsamamento dos
cadáveres, previam o movimento dos astros, construíram as pirâmides, tinham
conhecimentos médicos, afirmaram a existência dos átomos, e legaram a nossa
ciência moderna muitas das suas mais modernas teorias e conhecimentos atuais.
Estes conhecimentos e mais muitos outros, naquela época, constituíam os
ensinamentos do ocultismo, só revelados aos iniciados, sábios, após seu preparo
moral e espiritual e faziam parte dos mistérios esotéricos ou maiores,
ministrados nos templos, tais como os conhecimentos científicos são ministrados
nas universidades nos tempos modernos.
O ocultismo, portanto, é anterior à ciência moderna, não é um acúmulo de
experiências implícitas, nem de deduçõs racionais e lógicas, é um conhecimento
direto e subjetivo adquirido através da identidade da alma no mundo oculto,
desconhecido pela ciência ortodoxa.
Em todas as épocas e em todos os povos sempre houve sábios, embora nem sempre
cientistas, que tiveram conhecimentos superiores a cultura de seu tempo e de sua
raça, e eles eram ocultistas, homens de saber e espiritualidade comprovados e
cientes de sua responsabilidade moral devida a seus conhecimentos.
O ocultismo não é uma religião, embora possa desenvolver o instinto de
religiosidade nata na natureza humana, caracterizado pelo anseio de perfeição e
o profundo senso de uma nostalgia por algo perdido. É o apelo da alma pela sua
condição originária.
Assim como a ciência, para investigação da natureza, necessita delinear seu
campo de observação e parte de pressupostos considerados necessários, como a
avaliação de peso, massa, medida, percepção sensorial, grau de concretitude,
repetição da experiência observada, utilização dos resultados obtidos e
explicação lógica dedutível do observado, o ocultismo também parte de princípios
tidos como verdadeiros, lógicos e analógicos que foram comprovados por muitos
observadores, através do tempo, e que parecem formar a base do funcionamento da
natureza.
São fundamentos ou princípios do ocultismo os axiomas: 1º) a essencialidade
unitária de toda existência, isto é, tudo é uma única e mesma essência ou
substância primordial; 2º) nada há que exista no mundo fenomênico, que não
exista no mundo oculto; 3º) o conhecido é um reflexo do desconhecido e nele tem
sua raiz; 4º) no oculto está o modelo de tudo o que é manifestado; 5º)
O mundo
fenomênico é uma parte do mundo oculto e por ele se acha interpenetrado e
integrado e contido; 6º) nada há que seja conhecido que não seja uma idéia
divina; 7º) na realidade nada existe que não seja Deus manifestado; 8º) a força,
a energia, a matéria, a consciência, o espírito são formas diferentes de uma
mesma e única vibração que é puro movimento; 9º) nada há, quer seja simples ou
complexo, que não seja o resultado de uma coletividade de causas, que tem sua
causa no movimento universal das correntes das ondas de vida;
10º) nada há, no
mundo físico,que não tenha sua contraparte correspondente, em todos os outros
mundos dimensionais; 11º) não há nada morto, tudo é vida e essência em
diferentes graus de expressão; 12º) a matéria física é apenas uma das expressões
da consciência, mas suas infinitas densidades se extendem para muito além da
percepção dos sentidos. Na realidade, a densidade da matéria física é o
resultado das densificações progressivas de uma mesma energia-movimento; 13º) os
fenômenos da consciência humana devem ser considerados como atividades de alguma
outra forma de Ser Real e não como moléculas em movimento no cérebro.
Esse ser
real é a mente. As faculdades mentais são modos de comportamento da consciência
da mente. A ciência, com seus axiomas e sua lógica racional, reducionista e
mecanicista, exclui de seu campo de estudo e de observação, a maior parte da
natureza, tudo aquilo que não possa ser explicado pelo seu saber preconceituoso
de seu status intelectual, taxando-o de absurdo, inexistente, de não-digno de
investigação, de mera loucura.
O ocultismo não vê na sua natureza nada que seja absurdo, nada que não seja
digno de estudo e de verificação. Para o ocultista, o absurdo, o
não-compreendido de hoje, é a comprovação da possível verdade de amanhã. Para o
ocultista, a loucura do homem é a sua ignorância de Deus, mas a loucura de Deus
é a sanidade dos homens.
A ciência, em sua não-aceitação do ocultismo, costuma contestá-lo pela alegação
da não-existência de provas verificáveis. Como prova, exigia que fosse procedida
nos moldes das ciências exatas, em termos de peso, medida, quantificação e
instrumentação.
Os aparelhos e instrumentos científicos, por mais perfeitos que sejam, são
construídos de elementos e materiais físicos e, como tais, aptos à investigação
do mundo físico e incapazes de examinar outras dimensões não-físicas. O
ocultista investiga os mundos ocultos utilizando seus instrumentos psíquicos que
são suas faculdades espirituais feitas dos mesmos materiais ocultos.
A ciência, em sua exatidão, utiliza-se de pesos e medidas e quantificação. O
ocultismo utiliza a mesma exatidão de observação, mas seus pesos e medidas, em
vez de materiais, são qualidades psíquicas e morais.
A repetição da experimentação científica requer aparelhos com a mesma exatidão,
o mesmo procedimento e experimentador de igual qualificação, do mesmo modo que a
repetição do fato oculto requer que as qualidades espirituais e suas
qualificações naturais, também, sejam iguais nos experimentadores.
As provas científicas, como já é notório, depende do estado emocional-mental do
experimentador. O observador e a observação influem no resultado do observado,
daí a possibilidade de haver conclusões diferentes. Como exigir, portanto, que
haja unicidade e uniformidade nos conhecimentos ocultistas, notadamente,
tratando-se da descrição de um mundo, cuja única fixação é a mutabilidade
dinâmica?
A ciência não pode afirmar categorica e irrefutavelmente o que é a matéria, o
que é eletricidade, o que é o átomo, dentro de um mundo de incertezas, de
indefinição e de não localização.
Como não afirmar a existência dos mundos
ocultos e a não-realidade do ocultismo?
Parece que seria mais prudente, mais lógico e mais sábio admitir, como
possibilidade de estudo e de verificação, a existência do ocultismo e de seus
ensinamentos.
Se assim fizesse, a ciência poderia se beneficiar com os ensinos ocultos, e o
ocultismo poderia abrir à ciência novos campos de experimentos, dando-lhe uma
visão mais holística do mundo e do homem, capacitando-a a construir uma nova
civilização mais humana e mais fraterna.
AS CIÊNCIAS OCULTAS
O misticismo não é ocultismo. O
misticismo é um meio, um método, um procedimento, uma técnica empregada para a
devida preparação, para a aquisição dos conhecimentos do ocultismo.
O ocultismo é um conjunto harmonioso de princípios, de axiomas, de verdades que
se referem a um modo superior, no homem, na natureza e que constituem a
expressão de Deus, tal qual a ciência é um conjunto de axiomas que orientam a
pesquisa do homem e da natureza.
As ciências ocultas são aplicações parciais deste conhecimento, em áreas
específicas, tais como a Biologia, a Química e a Física são áreas específicas de
conhecimento da ciência.
O Ocultismo, como a ciência, é um todo; as disciplinas, como as ciências
ocultas, são partes de um todo.
As ciências ocultas podem ser classificadas, segundo Helena Petrovna Blavatsky,
em Yajña-Vidyâ, Maha-Vidyâ e Guhiâ-Vidyâ.
Yajña-Vidyâ é o conhecimento dos poderes ocultos despertados na natureza pela
realização de cerimônias e ritos religiosos. É o fundamento da missa católica,
da consagração da hóstia, dos ritos de sacrifício, dos trabalhos da umbanda.
Maha-Vidyâ é o conhecimento da magia, da feitiçaria, dos poderes dos mundos
inferiores, de suas causas e efeitos. É o conhecimento das ordens e religião que
professam o mal, que renegam a Deus, ao homem e à natureza. Qualquer
conhecimento ocultista ou ortodoxo que fira o princípio de “amai-vos uns aos
outros como eu vos amei”, é pura magia negra.
Guhiâ-Vidyâ é o conhecimento dos poderes do som usado nos mantras, nas preces e
orações, baseado no conhecimento das forças da natureza. Os ritmos musicais
estão baseados neste conhecimento, daí seus efeitos psicológicos.
O ocultismo é o conhecimento da natureza espiritual, ao passo que artes ou
ciências ocultas são conhecimentos da essência da natureza material, mineral,
plantas e animais, tais como: alquimia, astrologia, quiromancia, tarologia, etc.
O ocultismo é o caminho da renúncia do eu, tanto em pensamento quanto em ação. É
o caminho no qual o aspirante sacrifica sua alma animal, no altar do Eu
Superior, o mestre do santuário interno.
Um ocultista é um cientista do mundo espiritual.
O Misticismo
Com o presente artigo, encerra-se a trilogia
Esoterismo-Ocultismo-Misticismo escrita por José de Ribamar de Carvalho -
teosofista, rosa-cruz, maçom e membro de mais de trinta ordens esotéricas.
Reiteramos nosso apreço por este grande ocultista que, durante quarenta anos,
dedicou-se ao estudo dos mistérios da natureza e dos poderes ocultos no homem.
Misticismo, segundo o Dicionário de Ciências Ocultas, “é a ciência e arte do
mistério” O ocultismo o considera como meio de iniciação baseada sobre a ação
pessoal de Deus na alma humana. Sua origem procede da palavra grega Mystes, que
significa iniciado nos mistérios. Seus ensinamentos eram dados aos iniciantes
através de mitos. Mito, termo grego derivado de Mythos, fábula ou lenda. Estes
mitos eram a representação objetiva de uma verdade espiritual, que era adotada
nos antigos mistérios egípcios e gregos e, atualmente, encontramos no simbolismo
dos ensinos maçônicos. Entre a simbologia maçônica deparamos com o mito da
construção do templo do rei Salomão, o da morte e sepultamento de Hiram Abiff, a
do Real Arco e do sagrado Delta.
O verdadeiro significado desses mitos, como eram dados nos templos, em segredo,
constituíram os chamados mistérios que, no decorrer dos tempos passaram a
significar antigas religiões e escolas ocultas pré-cristãs, dos egípcios,
persas, gregos, judeus, romanos, celtas e escandinavos.
Nessas escolas, homens e mulheres de qualquer posição e cultura podiam solicitar
sua iniciação nos diversos mistérios, que se dividiam em menores ou exotéricos e
maiores ou esotéricos. Nos mistérios menores, a iniciação compreendia quatro
estágios: purificação, comunicação do conhecimento, ritual da revelação do
objeto sagrado através de um drama e, para encerramento, um banquete
sacramental.
Dentre os mistérios maiores mais conhecidos, podemos citar: os mistérios
cabéricos ou da samotrácia, os mistérios cretenses, os mistérios cristãos, os de
Dionísio, dos caribantes, os druídicos, os de Serapis e Oripes, os escandinavos
ou nórdicos, os eleusianos, dos essênios, e outros.
Os mistérios cabéricos, ligados ao elemento Fogo, foram venerados em Tebas,
Lemnos, Frégia, Mecedônia e Samotrácia. Nesse mistério venerava-se a Júpiter e a
mais sete deuses diante de seu trono e a uma série infindável de deuses menores,
cujo ritual girava em torno de quatro irmãos, dos quais três assassinam o
quarto. Os mistérios dividiam-se em três graus. No primeiro se celebrava a morte
de Cashmala pelos seus três irmãos; no segundo, a descoberta do seu corpo
mutilado, cujo os membros haviam sido encontrados e reunidos após penoso labor,
e no terceiro, a ressurreição e consequente salvação do mundo.
Os mistérios cretenses exerceram notável influência nas civilizações romana e
grega e transmitiram seus símbolos ao cristianismo e à maçonaria. Em Creta,
Cnosso, Sicília e Cumas encontra-se comprovação dos vestígios de rituais que são
comuns ao cristianismo, à maçonaria e aos mistérios egípcios e gregos.
Os mistérios cristãos existentes no cristianismo primitivo, pelo menos até o
terceiro século, compreendia duas espécies de ensinamento. Os litúrgicos,
exotéricos, de caráter geral e preparatório, destinados às massas populares, às
quais ministravam preceitos morais, por meio de representações alegóricas,
parábolas e cultos públicos e tinham por ideal a realização do Sermão da
Montanha, sintetizado na máxima “amai ao próximo como a vós mesmos”.
Os
teúrgicos, esotéricos, de caráter mais específico e subjetivo, destinados a uns
poucos já preparados, selecionados por sua vivência dos ensinamentos anteriores,
e que se propunham realizar a máxima “amai-vos uns aos outros assim como eu vos
amei”, fazer o cristo nascer em si próprio e aperfeiçoar-se na santidade até
chegar a ser um varão perfeito, na medida da estrutura completa de Cristo.
Na realidade, os mistérios menores correspondiam ao batismo pela água, feito por
João Batista, para o arrependimento. Os mistérios maiores referiam-se ao batismo
feito pelo Cristo, o do Espírito Santo, Pentecostes, e do fogo, iniciação. Os
adeptos desses mistérios compreendiam duas classes: a externa e a interna. A
externa compreendia as categorias: catecúmenos, competentes e iluminati. A
interna abrangia a purificação, a iluminação e a perfeição.
A primeira conduzia
à santificação, a segunda ao conhecimento interno e a terceira à unificação com
Deus.
A comprovação da existência dos mistérios no cristianismo primitivo, pode ser
encontrado na terminologia bíblica, tais como: porcos, reino, porta estreita,
salvos, condenados, todos termos de sentido dúbio usados nos mistérios; nas
declarações constantes Nas constituições dos Santos Apóstolos de Clemente, Bispo
de Roma, nos escritos gnósticos dos maniqueus, paulinos, albigenses, catarianos,
templários, cavaleiros de malta e de outras ordens místico-filosóficas e nos
escritos de Orígenes.
Os mistérios de Dionísio ou de Baco foram celebrados na Grécia, na Ásia Menor e
em Roma, na Síria, na Fenícia, na Pérsia e na Índia. Estes mistérios baseavam-se
na lenda do assassínio de Dionísio pelos Titãs, cujos segredos eram guardados
por forças do juramento de seus membros.
Os mistérios caribantes eram celebrados na Frégia, em honra a Atis, o pastor
frégio que gozava da benevolência de Cibele a qual, por ciúmes, matou sua
esposa, a ninfa Sangáride. As cerimônias começavam com uma lamentação pública e
eram concluídas com a sua ressurreição. Era uma representação dos assassinatos
de Atis e de Sangáride por motivo de ciúmes de Júpiter e de Cibele. Atis era uma
figura de Iniciação e do Adeptado.
Os mistérios Druídicos - Os druidas constituiram uma ordem sacerdotal de homens
e mulheres instruídos, sob a direção de um Arquidruída, entre os antigos povos
celtas na Bretanha, Irlanda e Gália (França). Cultuavam inúmeros deuses
identificados com Mercúrio, Apolo, Marte, Júpiter e Minerva e sua origem dada
dos ensinos de Orfeu. A lira de Apolo se tornou a harpa de Anjos, o deus do
amor, e o culto a Deus se traduzia na divina beleza manifestada através da
música.
Em seus mistérios eram submetidos homens e mulheres e exigiam muita purificação
física e mental. A iniciação se dividia em períodos trimestrais, durante os
equinócios e solstícios e compreendia três graus: Eubates, Bardos e Druidas. Os
principais mandamentos impostos eram: obediência às leis divinas, interessar-se
pelo bem-estar da humanidade e suportar com fortaleza todos os males da vida,
durante o período probatório. Terminado este, o candidato devidamente vestido de
branco, azul e verde era encerrado em uma tumba, onde, em jejum, permanecia
durante três dias, no fim do qual estava pronto para a iniciação. Após a
iniciação , o iniciado jurava guardar segredo desse mistério e era considerado
como renascido do ventre da deusa Ceridiem, livre de todas as impurezas e de
toda imperfeição.
Os mistérios egípcios - Estes mistérios eram instituições públicas, mantidas
pelo Estados; eram centros de vida nacional e religiosa, os quais eram
frequentados por todas as classes sociais. Eram constituídos de vários graus e
duravam muitos anos. Os que passavam por todos os graus, homens e mulheres, eram
considerados ocultos, pois adquiriam os conhecimentos deste mundo e uma nítida
compreensão de seu futuro após a morte e das leis que regem os mundos
superiores.
Os ensinamentos internos e superiores permaneciam selados para o
povo, ainda não suficientemente preparado para aprendê-los. Todavia,
praticamente toda população egípcia sabia destes mistérios, de tudo que
relacionava com a vida depois da morte e de como preparar-se para enfrentá-la
corajosamente. Os pormenores dos ensinamentos eram ministrados aos iniciados nos
mistérios, até admití-los sob solenes juramentos de guardar absoluto segredo.
Das instruções constavam os ensinamentos dos rituais de iniciação, da morte e da
ressurreição. Os rituais de iniciação eram realizados nas câmaras das pirâmides.
As cerimônias dos mistérios visavam representar a evolução superior do homem,
seu retorno à Fonte Divina, donde ele veio, através do desenvolvimento de sua
natureza superior.
Estes mistérios se classificavam em mistérios menores ou de Ísis e em mistérios
maiores ou de Serápis e Osíris. Os primeiros correspondiam ao primeiro grau, de
aprendiz, na maçonaria e os segundos, ao segundo e terceiro grau, companheiro e
mestre, na maçonaria. Ao iniciado nos mistérios menores, se ensinava a condição
da morte após a morte física, sua vida no astral, no Hades ou purgatório;
ensinava-se o sentido do que dissera Ísis: -“Eu sou a natureza, a mãe de todas
as coisas, a soberana dos elementos, a matriz do tempo” e ministrava-se os
conhecimentos de gramática, lógica, retórica, aritmética, geometria, música e
astronomia.
Aos iniciados nos mistérios maiores, no de Serápis, segundo grau,
companheiro na maçonaria, aprofundava-se os conhecimentos de ciência e
filosofia, e o estudante empreendia um curso mais adiantado do mundo oculto,
aprendia-se sobre o plano mental, o Devacan, o Sukhâvati, o céu, o Nout, a
Câmara do meio, os Campos Elísios e os iniciados aprendiam o domínio da mente e
o desenvolvimento das suas faculdades internas. Nos mistérios de Osíris terceiro
grau maçônico, mestre, o candidato tinham de passar pelas representações
simbólicas do sofrimento, morte e ascensão de Osíris, o que incluía suas
experiências entre morte e a ressurreição, quando ele subia ao Amenti e se
tornava o juiz dos mortos, que a cada alma sentenciada a sua medida de
felicidade ou seu retorno a uma nova encarnação terrena para um ulterior
autodesenvolimento. A instrução dada referia-se à região do mental abstrato, do
plano causal, do terceiro céu, de Nout, onde o iniciado vencia e se liberava de
todas as ilusões. O povo egípcio celebrava essa liberação com festas públicas
que correspondem às festas católicas atuais da Sexta-Feira Santa e dia de
Páscoa.
Encontra-se aí a semelhança deste mistério com o suplício, crucificação, morte,
sepultamento e ressurreição de Jesus. Será pura coincidência ou copilação? Além
desses três graus haviam outros maiores. Os principais centros de ensinamentos
egípcios foram: Sais, Mênfis, Tebas e Heliópoles.
Mistérios Nórdicos - Sua origem se deve aos citas e é citado por Jeremias-4:5-7,46
e Colossenses-3:11. Compreendiam três grandes festividades anuais: a primeira, a
mais importante era celebrada no solstício de inverno, dedicada a Thor, filho de
Odin e de Friga; ou Fréya, a mãe dispensadora de graças; e a terceira, tributada
a Odin. Os mistérios se prendem a linha do assassinato de Balder pelo Hoder e de
sua ressurreição, identificando-se na de Osiris e Tifão, de Tammy e Izelubar, de
Krishna e Kansa de Cristo e Caifos. A iniciação era uma representação simbólica
da ressurreição de Bauder de sua vitória sobre a morte.
Mistérios Gregos, os de Eleusinos - Atribui-se sua origem a Orfeu e seus
iniciados foram Píndaro, Sófocles, Isócrates, Plutarco, Heródoto, Platão, Cícero
e muitos outros. Os mistérios Eleusinos se dividiam em dois grupos: os menores e
os maiores, e cada grupo se subdividia em duas partes: uma exotérica e outra
esotérica. Os mistérios menores eram celebrados no templo de Deméter e Coré, em
Agra, em Atenas, no mês de março, pelo equinócio da primavera. Os ensinamentos
ministrados referiam-se ao conhecimento da vida no astral, bem, como na
significação dos mitos de Tântalo, Sísifo, Títio,visando o desenvolvimento moral
do candidato, em sua vida honrada e digna. Neste grau, o iniciado recebia o nome
de Mistal.
Os mistérios maiores eram celebrados no mês de setembro, em Eleusis,
inicialmente em celebração pública e depois no templo, entre os iniciados. Neste
grau, ensinava-se os mistérios do astral e do plano mental, o domínio e
purificação do corpo astral e do mental, fazia-se a interpretação das lendas
Proserjisia, Coré, de Narciso, Minotauro, Teseu, Ariádno, e da morte de Baco
pelos Titãs. Culminava o cerimonial com exposição de uma espiga de trigo, como
símbolo da eterna criação e evolução através de novas formas para alimentar
outras formas de vida. Muitos estudiosos vêem esses simbolismo como analogia da
última ceia de Jesus, da cerimônia do pão e do vinho, da eucaristia. Além desses
mistérios, que correspondem aos graus superiores, havia também os mistérios
ocultos que eram só do conhecimento dos iniciados.
Mistérios Mitríacos - Foram difundidos na Ásia, África e Europa e neles dominava
um acentuado estilo militar e demandava de seus fiéis uma pureza quase acética,
sendo Mitra, o salvador da humanidade. Este culto de espalha notadamente entre
os soldados romanos, os quais construíram inúmeros templos em honra de Mitra. O
sistema compunha-se de sete graus: Corax, Eryphius, Miles, Leo, Perses,
Heliodramus e Peter. Este culto era próprio para homens e constituía uma
fraternidade de armas.
Mistérios Judaicos - Fundados por Moisés, sofre a influência dos mistérios
Egípcios como cita o Êxodo 7:8-12 e 4:1-5. Posteriormente, foram fundadas
escolas de profetas, para estudo e prática dos mistérios e instruções mais
profundas, velados nos antigos ritos. Muitas dessas escolas são citadas na
Bíblia, como a de Naisth, de Gilgar, Belthel e Jericó, posteriormente
substituídas pelas sinagogas. Na época de Jesus, havia as escolas dos Essênios,
Nazarenos, Saduceus, Fariseus que, apesar de terem desaparecidos, influenciaram
o cristianismo e outras escolas filosóficas.
Tal como havia previsto Hermes Trimesgistro, nas tábuas Esmeraldinas, estas
escolas desapareceram debaixo do jugo romano e das perseguições empreendidas
pela Igreja sob as mais diversas formas.
Entretanto, muitas delas procuravam se adaptar às novas circunstâncias, aos
novos tempos, tornando-se ocultas, mudando de nomes ou de forma de atividades,
fundindo-se com outras escolas, de modo a poderem preservar o patrimônio
cultural e espiritual da humanidade, até tomarem as características que
apresentam hoje.
Foi traçado em linhas gerais, algumas escolas místicas da antiguidade e seus
princípios gerais que independentemente dos rituais e cerimônias adotadas,
constituía os seus ensinamentos fundamentais.
Vimos que todas elas tinham como simbolismo um mito ou uma lenda que encobriam
profundos ensinamentos espirituais que retratavam a criação, os estágios do
desenvolvimento do homem e do mundo, bem como as leis ocultas e dos poderes
divinos, e do destino da alma humana, ao mesmo tempo que tratavam de estimular a
criação das virtudes, da fraternidade e da moralidade, pelo cultivo e domínio do
corpo físico ou sublimação dos sentimentos inferiores e o desenvolvimento e
aprimoramento das faculdades mentais.
Aquelas escolas eram classificadas em menores ou exotéricas e maiores ou
esotéricas, mas ambas buscavam o aperfeiçoamento pessoal, auto-realização ou a
salvação através da imitação e da adoração a um modelo exterior, do qual
dependia a sua alma.
A salvação não era o resultado da sua evolução pessoal, mas era devido a graça
de um poder maior que devia ser adorado e ao qual lhe devia o atributo do
ritual.
O misticismo é, portanto, uma escola, um caminho de dependência e da necessidade
de projetar a sua necessidade de segurança para alguém de fora. É um caminho de
vinculação Filho-Pai, de eu não tenho, tu me dás.
É uma escola válida para aqueles que se sentem crianças, para os que ainda não
amadureceram espiritualmente.
Ela é útil e válida para um determinado estágio do desenvolvimento moral e
espiritual, notadamente, para aqueles que estão no estágio emocional.
Se és um místico de qualquer escola ou ordem, mas desejas conhecer a tua
religião, estuda-a e procuras por ti mesmo, a tua religiosidade íntima,
independentemente do que te ensinaram e te disseram, e sejas tu mesmo o que
escolhes o caminho.
© Copyright da revista ISIS, maio de 1996 - by Sandro Fortunato
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